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Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

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A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

domingo, 20 de novembro de 2011

Os fluxos materiais

Este capítulo, em particular, após apresentar e discutir os principais tipos de fluxos da globalização (materiais e imateriais), cujo meio geográfico é o técnico-científico-informacional, abordará o comércio internacio­nal de mercadorias como um dos principais fluxos materiais, enfatizando algumas cau­sas de seu incremento no atual período his­tórico.

Para dar início ao desenvolvimento das noções de rede e fluxo, relacionando-as, em geral, ao processo de globalização e, em par­ticular, ao sistema de transportes e ao co­mércio internacional de mercadorias, vamos usar dois exemplos significativos de fluxos materiais: uma leitura car­tográfica acrescida de um pequeno texto. O mapa tem por objetivo compre­ender como os fluxos de transportes influem diretamente nos processos de distribuição de mercadorias, característica marcante da globalização, e o texto reforçará os conceitos de redes e fluxos de transportes.

A modernização do sis­tema de transporte pode agilizar a distri­buição de mercadorias e contribuir para a diminuição dos custos finais de produção. A ampliação da capacidade de carga dos navios é responsável por facilitar o trans­porte e baratear custos: a modernização nas formas de armazenamento para transportes com o uso de contêineres evitam perdas e a ampliação da velocidade diminui o tempo de distribuição das mercadorias.

Os flu­xos materiais são aqueles representados por objetos que possuem materialidade e volume e, portanto, compõem uma imensa gama de sistemas de infraestrutura e de mercadorias. Já os fluxos imateriais são aqueles dissemi­nados pelos meios de comunicação e infor­mação, como a internet e a telefonia, e que influem em nossas vidas, alteram a nossa eco­nomia, mas que não são palpáveis e, portanto, não têm materialidade.

Na atualidade, há uma relação de interdependência entre os fluxos materiais e imateriais. Se, por um lado, toda a infraestrutura dos setores de comunicação e informação compõe-se de uma base material, que compreende saté­lites, fiações, cabos submarinos etc., por ou­tro, o que por elas é disponibilizado resulta em fluxos imateriais e que são utilizados pelas mesmas empresas responsáveis por fabricar todas essas tecnologias.

            A rede bancária funciona interconectada e há uma infindável gama de transações financeiras realizadas por essas instituições. As bolsas de valores do mundo inteiro operam em conexão e influem na economia dos mais diferentes países. Também todo o setor do e-commerce (comércio via internet) só existe em função de ser disponibilizado on-line. Esses são exem­plos econômicos. Porém há uma variedade de transações que ocorrem por meio do fluxo imaterial que não podem ser consi­deradas econômicas, mas sim, culturais. Este é o caso dos contatos por email, das relações que se estabelecem no Orkut ou Facebook, das transações de músicas em mp3, de filmes no YouTube etc.

 

Leitura e interpretação de mapa temático e texto

Apresentado os conceitos dos flu­xos materiais e imateriais e o entendimento do funcionamento da rede de transportes, vamos analisar o mapa “Comércio mundial de mercadorias, 2004”, na página 12 do caderno do aluno, relacionando-o à intensificação dos fluxos vigentes no processo de globalização em curso. As mudanças tecnológicas importantes têm ocorrido de maneira cada vez mais acelerada nas últimas décadas.

A superfície dos círculos e a espessura das setas nele contidos retratam a maior participação de algumas regiões do mundo, em porcentagem, no comércio ou fluxo internacional de mercado­rias.

O meio geográfico é cada vez mais im­pregnado de técnica, ciência e informação, o que nos permite falar na formação de um meio técnico-científico-informacional neste período histórico da globalização, conforme os pressupostos defendidos pelo geógrafo Milton Santos. O meio técnico-científico-informacional constitui o meio geográfi­co característico do atual período histórico e, como o próprio nome indica, é composto de sistemas de objetos (estradas, aeroportos, fábri­cas, redes de internet) altamente modernizados, que permitem uma grande fluidez ou mobilida­de aos produtos e aos fluxos de informação das grandes corporações transnacionais.

Para ilustrar, vamos ler o texto “O espaço geográfico como sistema técnico”, nas páginas 5 até 8 do caderno do aluno e analisar a tabela “Fluxos do meio técnico-científico-informacional”, na página 10. O comércio ou fluxo internacional de mercadorias constitui ape­nas um tipo de fluxo material. O aumento da quantidade de dólares envolvida nas ex­portações, que podemos observar na tabela “Evolução das exportações de mercadorias – em bilhões de dólares”, na página 11 do caderno do aluno, fornece uma idéia precisa do que significou para o comércio internacional o período da globalização.

Agora, observando a tabela “Exportação de mercadorias”, na mesma página, identificamos o aumento da exportação de mercadorias em quase todas as regiões do mundo entre 1993 e 2007. A participação de algumas mercadorias, em porcentagem, auxiliou no comércio e no fluxo internacional de mercadorias (Europa, Ásia e Oceania e América do Norte).

A comparação entre o que está representado no mapa e a tabela “Exportação de mercadorias” assinala o expressivo destaque dos países situados na média latitude (Europa, Ásia e Oceania, América do Norte), em con­traposição aos da baixa latitude (trópicos) e dos de alta latitude (subpolares). Há inúmeras ex­plicações para isso: a desigual distribuição dos recursos naturais, a história, a organização dos modos de produção etc.

Cabe à Geografia, pes­quisar e interpretar esse padrão de produção e distribuição de mercadorias ao nível mundial. Quais teriam sido as causas do aumento extraordinário de fluxos comerciais e por que apenas algumas regiões do planeta se destacam quando o assunto é comércio internacional?

 

O aumento na demanda em todos os países por todo tipo de produto

No perío­do técnico-científico-informacional em curso, ocorreu um expressivo aumento populacional - de 2,5 bilhões de habitantes, em 1950, o mundo passou a contar com 6,1 bilhões em 2000 e 6,8 bilhões em 2009. Em parte, o acréscimo de mais de 4 bilhões de pessoas no mundo, durante esses 59 anos, ex­plica o aumento do comércio internacional. Contudo, é importante salientar que, além do crescimento da população mundial, hou­ve também, em algumas regiões do mundo, uma melhoria da qualidade de vida, princi­palmente nos países do centro da economia capitalista: Estados Unidos, alguns países da Europa Ocidental e Japão, além de um in­cremento do consumo em todos os níveis. A expansão do meio técnico-científico-informacional permitiu que essas regiões se industrializassem ainda mais e diversificassem a sua produção, propiciando o assalariamento da maioria da população e, em consequência, a sua entrada no consumo de massa. Além das diferentes características na­turais (presença ou não de petróleo, minerais etc.) e diferentes tipos de sistemas produtivos, visto que algumas regiões são essencialmente agrícolas, outras mais industriais e outras es­pecializadas no setor de serviços, há uma tendência para que se ampliem as trocas comerciais entre essas regiões, pela diminuição dos custos dos transportes.

Em princípio, a complementaridade entre as regiões (cada uma exporta aqui­lo que produz em excesso e importa o que não produz ou o que não produz o sufi­ciente) cria uma interdependência entre elas, típica da atual fase da globalização. Essa interdependência não é neutra, isto é, como, no mundo capita­lista, as trocas comerciais acabam sempre favorecendo um conjunto de certas regiões em detrimento (prejuízo) de outras. Desse modo, tais desigualdades são resultantes da divisão internacional do trabalho, porque certas regiões, com sistema produtivo mais mo­derno, conseguem exportar produtos com maior valor agregado, forçando as regiões menos modernizadas (principalmente os países em desenvolvimento) a produzir apenas alguns tipos de mercadorias, em especial aqueles de origem agrícola ou mi­neral. Ao produzirem somente bens do setor primário (carvão, petróleo, minerais e produtos agrícolas), cujos preços no mer­cado internacional, no geral, têm declina­do, essas regiões são forçadas a aumentar a produção e a venda desses produtos para poder adquirir mercadorias mais moder­nas, como aviões, computadores e apare­lhos eletrônicos.

Valor agregado corresponde à quantidade de traba­lho realizado na fabricação de um produto. Quanto mais tecnologia e conhecimento aplicado forem necessários para produzir a mercadoria, maior será seu valor agregado.

 

A melhoria e a queda dos custos dos sistemas de transporte

Apesar dos avanços das tecnologias da aviação e dos transportes ter­restres, grande parte das trocas comerciais internacionais, em termos de valores (dóla­res) negociados, é realizada até hoje por via marítima. Aliás, hoje, cada um dos grandes navios transatlânticos consegue transpor­tar muitas toneladas a mais do que conse­guia transportar num navio "moderno" no início do século XX. Uma segunda melhora importante nos sistemas de transporte diz respeito à forma de acondicionamento das mercadorias. A técnica de transporte em contêineres permite colocar e trans­portar as mercadorias em caixas metálicas, resultando em vários benefí­cios, como impedir que não haja rupturas no processo de transporte, facilita e agiliza o embarque, o desembarque e o transbordo dos produtos e diminui as possibilidades de acidentes e de perda das mercadorias desde as fábricas onde são produzidas até os estabelecimentos comerciais onde serão vendidas. Além disso, a maior integração entre os diferentes tipos de transporte per­mitiu criar sistemas modais, por meio dos quais ocorreram barateamento e agilida­de em todos os processos, desde a coleta até a distribuição e o armazenamento das mercadorias. A informatização do setor de transportes foi responsável por sua modernização e a logística de abastecimento, aliada às ven­das on-line, ampliou a capacidade de entre­ga e distribuição das mercadorias.

 

Liberalização das regras comerciais que re­gulam as trocas

A difusão do meio técnico-científico-informacional permitiu às grandes empresas transnacionais amplia­rem de forma significativa o seu poder na globalização, com reflexos também nas trocas mundiais comerciais. Por exemplo, em 1947 foi assinado o Acor­do Geral sobre Tarifas Aduaneiras e Co­mércio (em inglês, General Agreement on Tariffs and Trade - Gatt), que tinha como principal proponente os Estados Unidos, e visava à gradual diminuição das tarifas aduaneiras comerciais das nações. A expressão "tarifas aduaneiras" refere-se à carga de impostos pagos pelo país expor­tador para que suas mercadorias possam ser comercializadas no país receptor, uma das princi­pais formas de que dispõe uma nação para proteger o seu sistema produtivo. Os países detentores de um meio técnico-científico-informacional mais desenvolvido, como, por exemplo, Estados Unidos, Alemanha e Japão, sedes de gran­des corporações transnacionais, conseguem produzir mercadorias em maior quantidade e por preços menores. Esses países aliam-se na defesa pela diminuição das tarifas alfan­degárias, com vistas a ampliar seus merca­dos em países em desenvolvimento. Desse modo, seus produtos invadem essas nações, dificultando, muitas vezes, a situação de indústrias locais, que, não tendo a mesma facilidade de acesso à tecnologia, não con­seguem fazer frente aos preços praticados pelas empresas transnacionais.

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"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

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