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Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

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A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

segunda-feira, 15 de agosto de 2011

O continente africano

Esse capítulo enfocará o continente africano a partir de algumas particularidades físicas e populacionais. Dessa forma, reconheceremos os aspectos relacionados a diferentes formas de regionalização, características da hidrografia e dos desertos (com o intuito de relacioná-las à divisão natural representada pelo Saara e a cultural, pelo Nilo) e outras características do continente, que também permitem relacionar as características físicas e culturais e agrupar ou classificar os países do continente africano em duas regiões distintas: a África do Norte e a África Subsaariana.

 

Localização do continente

A partir da localização visual do Meridiano de Greenwich, do Equador e dos Trópicos de Câncer e Capricórnio, identificamos que a África é o único continente a possuir terras nos quatro hemisférios. A localização das zonas térmicas da África é um elemento importante na caracterização da distribuição do clima e vegetação africanos.

clip_image002A fronteira norte do continente africano é muito próximo da Europa e o Estreito de Gibraltar e o Mar Mediterrâneo são elementos facilitadores de acesso entre os dois continentes, tanto da colonização no século XIX como também do fluxo migratório de africanos para a Europa nos dias atuais. O Mar Vermelho, a Península do Sinai e o Istmo de Suez estão localizados na fronteira com a Ásia: mas a fronteira oficial costuma ser fixada no Istmo de Suez, o que faz da península do Sinai território asiático, região de grande importância econômica (jazidas de petróleo) para o Egito que, finalmente, a obteve em 1979 após assinatura de um acordo de paz com Israel. Importantes cidades egípcias localizam-se nos limites com a península do Sinai, e a localização do Egito entre os dois continentes leva alguns geógrafos a propor a fronteira israelo-egípcia como o limite geográfico entre a Ásia e a África. Por isso a importância geoestratégica do Canal de Suez (que esteve sob domínio inglês até 1956, quando foi nacionalizado pelo presidente egípcio Gamal Abdel Nasser).

 

clip_image004África: clima, vegetação, relevo e hidrografia

Há uma forte correlação entre os tipos climáticos e a distribuição da cobertura vegetal no continente africano. A distribuição das precipitações na África apresenta uma variação de máxima para mínima no sentido centro-norte e centro-sul. Na faixa equatorial encontramos a vegetação da floresta equatorial (pluvial e tropical) em virtude das chuvas intensas e das elevadas temperaturas. Na região dos trópicos, o tipo climático é caracterizado por uma variação sazonal de chuvas no verão e seca no inverno, o que explica a existência das savanas. Ao norte e ao sul do continente, ocorrem áreas extremamente secas, com destaque para os Desertos do Saara (ao norte) e do Kalahari (ao sul), onde, em algumas áreas muito localizadas e pontuais, verifica-se a presença da vegetação de oásis, resultante do afloramento do lençol freático subterrâneo. A vegetação do tipo estepe faz parte das formações de regiões semiáridas, nas margens dos desertos, sendo composta de herbáceas ressecadas e arbustos muito esparsos. Essa extensa faixa semiárida na borda do Deserto do Saara é conhecida como Sahel. O tipo climático mediterrâneo ocorre nas extremidades norte e sul do continente africano, onde aparece vegetação do tipo maquis e garrigues, caracterizada por pequenos arbustos que se misturam às formações xerófitas, às oliveiras, às videiras e às gramíneas ressecadas. A economia relaciona-se a dos países mediterrâneos: ao norte do continente africano destaca-se a produção de óleo de oliva na Tunísia e na Argélia e, ao sul, destaca-se a produção vinícola.

clip_image006Com exceção do Rio Nilo, os grandes rios africanos, como o Congo e o Zambeze, estão em áreas de clima equatorial e tropical. A existência dos rios, dos desertos, da vegetação e a proximidade com o Mar Mediterrâneo são fatores fundamentais para compreender a distribuição da população pelo continente como também das atividades econômicas e da organização social da população. Nas áreas mais elevadas do continente ocorre o clima frio de montanha. O Rio Nilo destaca-se por atravessar áreas desérticas em grande parte de seu curso e tem uma importância regional ao longo da história. Em contraste com o Saara, o Rio Nilo propicia áreas muito férteis à África, fornecendo água e solos agricultáveis em suas margens, além de água para irrigação das áreas adjacentes ao vale do rio. Nas margens desse rio, ocorrem muitas das principais aglomerações humanas como Cairo e Alexandria, no Egito, e Cartum e Ondurman, no Sudão, esse na costa oriental da África. Além das férteis terras do Vale do Nilo, na atualidade, a utilização de tecnologias agrícolas aliadas a ajustes estruturais de produção permitiu a expansão de uma agricultura internacionalmente competitiva também em países da denominada África Subsaariana. Hoje os países do Golfo da Guiné, liderados pela Nigéria, são os maiores produtores mundiais de cacau, e juntamente com países localizados na África austral e oriental destacam-se também na produção de café, algodão e hortaliças.clip_image008

 

A regionalização da África

Localizem o Deserto do Saara na foto de satélite da África (área em branco).

Esse enorme deserto (o maior do mundo) na configuração natural, cultural e política do continente africano, separa o extremo norte africano do resto do continente. Historicamente, funcionou como uma barreira que, embora transposta por fluxos comerciais intensos, influenciou profundamente a configuração das culturas e civilizações na África. O Rio Nilo foi o primeiro e principal eixo comercial através do deserto, permitindo a aproximação entre os povos que habitavam as porções norte e sul do Saara.

clip_image010Nos séculos VII e VIII, povos árabes conquistaram todo o norte africano, antes de invadirem a Península Ibérica (Portugal e Espanha). O domínio árabe no norte da África levou à difusão do islamismo e da língua árabe entre os povos da porção setentrional do continente. Nesse período, o Saara também passou a ser atravessado por rotas de caravanas árabes, que comercializavam inúmeros produtos e escravos dos reinos ao sul do deserto. Essas relações comerciais foram responsáveis pela expansão do islamismo também para os povos que habitavam a porção sul do Saara. Isso explica a grande presença de adeptos do islamismo nessa parte do continente.

Foram também essas relações – em especial, o comércio de escravos — que levaram os árabes a tratar o sul do Saara como “terra de negros”. Dessa forma, a influência árabe e, posteriormente, a europeia, ratificaram a regionalização que distinguia uma “África Branca” de uma “África Negra”. Essa designação das porções norte e sul do continente pela cor da pele, além de não esclarecer em nada as características culturais próprias de cada região, representaram o modelo racista e preconceituoso que fundamentou a colonização do continente no século XIX.

Com o fim da colonização, essa regionalização ratificada pelo imperialismo foi profundamente criticada, tendo em vista o aprofundamento nos estudos acerca da heterogeneidade das culturas africanas. Na atualidade, os organismos internacionais consolidaram a regionalização em África do Norte e África Subsaariana.

 

África do Norte

Os países do norte do continente são: Marrocos, Líbia, Tunísia, Egito, Argélia e Saara Ocidental (sob o domínio do Marrocos). As populações desses países têm uma unidade cultural dada pela religião islâmica, trazida pelos árabes da Península Arábica a partir do século VII.

a) Magreb e Grande Magreb

Magreb, em árabe, designa “onde o Sol se põe”, pois, localizada a oeste, encontra-se em oposição ao “machrek”, que significa “o nascente”, porção representada pela Península Arábica. O Magreb (também Magreb Central) corresponde à porção ocidental do norte da África, onde se localizam o Marrocos, a Argélia e a Tunísia, países que foram integrados ao império colonial francês no século XIX — e que, anteriormente, faziam parte do Império Turco-Otomano. O Grande Magreb é uma região que clip_image012se estende da Mauritânia à Líbia. Em relação ao conjunto das exportações dos países que o compõem (ver figura “Grande Magreb: exportações, 2003”, as trocas econômicas e comerciais com a Europa são mais intensas que as relações bilaterais que mantêm entre si. Essa observação é importante, pois permite explicar uma das razões que tornam essa imensa região um espaço estratégico do ponto de vista dos europeus e, mais recentemente, dos chineses, em virtude da grande importância do petróleo e de outros minérios aí existentes. Outras características dessa região são: a proximidade geográfica com a Europa; o fato ser a mais rica da África, com vastas reservas de petróleo, gás natural, fosfato, ferro etc.; o fato de ser importante fonte emissora de migrações com destino à União Europeia.

b) O Saara e o Vale do Nilo

                Considerando o meio físico e sua ocupação pelo ser humano, a África do Norte ou Setentrional possui, além do Magreb, outras duas áreas mais ou menos distintas: o Vale do Rio Nilo e o Saara.

                Em relação ao Vale do Rio Nilo, esse rio é muito importante para vários países africanos e não apenas para o Egito. Observem o percurso completo desse rio, da nascente no Lago Vitória à foz no Mar Mediterrâneo (ver mapa “África: físico com hidrografia”). Na Antiguidade foi muito importante, pois foi onde a civilização egípcia floresceu. Por ser o único rio a atravessar o Deserto do Saara no sentido sul-norte, o Nilo poderá ser comparado ao Rio São Francisco, no Brasil. Tanto o Nilo quanto o São Francisco possuem traçado sul-norte; atravessam áreas áridas e semiáridas; são utilizados para transporte, produção de eletricidade, irrigação. O que os difere apenas é o tipo de foz: enquanto o Nilo apresenta foz em delta (quando um rio deságua no oceano por várias saídas), o São Francisco deságua no Atlântico formando um grande estuário (quando um rio deságua no oceano por uma única saída).

                Em contraste com o Saara, o Rio Nilo propicia áreas úmidas e férteis, fornecendo água e solos agricultáveis em suas margens, além de irrigação em áreas adjacentes ao Vale do Rio Nilo, possuindo em suas margens muitas aglomerações humanas como, por exemplo, Cairo, Alexandria, no Egito e Cartum e Ondurman, no Sudão. O Rio Nilo nasce na região central da África, no Lago Vitória, e corre na região central e nordeste do continente, atravessando Uganda, Sudão e Egito, desembocando em delta no Mar Mediterrâneo. A represa de Assuã, no Rio Nilo, controla o nível das águas e fornece energia elétrica ao Egito.

                Quanto ao Deserto do Saara – localizado no norte do continente africano, estendendo-se do Oceano Atlântico até o Mar Vermelho –, vários países localizados na porção setentrional africana apresentam baixa densidade demográfica pelo fato dessa região ser árida, dificultando a ocupação humana e as atividades econômicas. O sistema da Cadeia do Atlas influencia na aridez do Deserto do Saara que, em razão de suas elevadas altitudes e orientação transversal, impede a passagem dos ventos que chegam do norte carregados da umidade do mar. A designação de “sistema” relaciona-se com o fato dessa cadeia formada no Terciário compreender três cadeias no Marrocos (Alto Atlas, Médio Atlas e Antiatlas) e duas na Argélia (Atlas Telianos e Atlas Saariano).

A formação dos desertos do Kalahari e da Namíbia, ao sul do continente, diferentemente do Saara, estão associados à presença da corrente fria de Benguela.

 

África Subsaariana

                Os países que formam a região são: Congo, República Centro Africana, Ruanda, Burundi, África Oriental, Quênia, Tanzânia, Uganda, Djbouti, Eritréia, Etiópia, Somália, Sudão, África Ocidental, Benin, Burkina Faso, Camarão, Chade, Cote d’Ivoire, Guiné Equatorial, Gabão, Gâmbia, Gana, Guiné, Guiné Bissau, Libéria, Mauritânia, Mali, Níger, Nigéria, Senegal, Serra Leoa e Togo. Esse conjunto de países abrange o Sahel, extensão de terras localizada na “borda do deserto” e que, historicamente foi habitada por pastores nômades que, na atualidade e por influência do processo de colonização, em parte se sedentarizaram. Aliado ao pastoreio, a partir de investimentos de inúmeros organismos internacionais associados a empreendimentos privados, essa região tem apresentado melhor uso do solo e resultados agrícolas satisfatórios na produção de grãos, especialmente milheto (uma forrageira, que significa qualquer espécie de vegetação, natural ou plantada, que cobre uma área e é utilizada para alimentação de animais, seja ela formada por espécies de gramíneas, leguminosas ou plantas produtoras de grãos sorgo (um cereal, o quinto mais importante no mundo, antecedido pelo trigo, arroz, milho e cevada) e arroz.

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"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

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