"Este Blog foi criado para aproximar aqueles que se sentem indignados ao presenciar a injustiça, ocorra ela em qualquer parte do planeta. Ele foi criado para aqueles
que acreditam que o conhecimento crítico e o combate a alienação é a libertação do homem e a transformação do mundo. Sinta-se indignado, proteste, lute,
liberte-se, liberte o outro, transforme o mundo..." Prof. Claudenir

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

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A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

quinta-feira, 10 de março de 2011

A GÊNESE GEOECONÔMICA DO TERRITÓRIO BRASILEIRO

A Produção Da Cana-De-Açúcar (Séc. XVI-XVII)
Para montar engenhos, além das terras para o plantio, era necessário contar com escravos, adquirir bois, cavalos, barcos, ferro e cobre etc. Em suma, o engenho exigia muitos investimentos, sendo, portanto, uma atividade que não era para qualquer um.Os colonos que não podiam arcar com os gastos da preparação do açúcar tornavam-se fornecedores de cana aos senhores de engenho. Assim, os senhores de engenho trabalhavam com a cana de suas próprias plantações e com aquela fornecida por colonos de menores posses.
Parte da fazenda era destinada a criação do gado necessário ao transporte da cana dos partidos até a casa do engenho, e do açúcar até o porto de embarque. Os carros de boi foram muito utilizados como meio de transporte, principalmente quando não havia trechos navegáveis dos rios.Completando a paisagem geográfica e social, havia a casa grande (moradia dos senhores), a casa do engenho (conjunto de construções destinadas a fabricação do açúcar) e a senzala (onde os escravos viviam amontoados).
Muitas fazendas, com seus engenhos, pomares e criação de gado, eram praticamente auto-suficientes. A exploração do trabalho escravo permitia aos senhores de engenho contratar homens com algum conhecimento técnico para tarefas especializadas, como os mestres de açúcar, os purgadores e os caldeireiros.
O objetivo da produção açucareira era o mercado externo. Seu funcionamento envolvia muita gente. Por isso, no interior da agricultura colonial-escravista tínhamos dois setores:
• setor de exportação;
• o setor de produção de alimentos;
O setor exportador era a atividade principal, ocupava os melhores solos dos imensos latifúndios, empregava o trabalho escravo e avançava sempre sobre as terras férteis da floresta (plantation). A margem da atividade principal aparecia o setor de subsistência. Assim, os escravos cuidavam de sua própria alimentação diminuindo os gastos dos senhores com importação de gêneros alimentícios.

A Economia Colonial No Século Xvii
A produção de alimentos era subordinada a atividade principal do latifúndio e variava de acordo com os preços do açúcar no mercado mundial. Quando os preços do açúcar subiam no mercado, todas as terras e os escravos eram utilizados para expandir a produção, sobrando pouca terra para a agricultura de subsistência. A queda dos preços do açúcar implicava a redução das rendas, obrigando os senhores a reduzirem as despesas com a manutenção dos escravos. Quanto mais "doce" (de cana-de-açúcar) a paisagem, mais amarga era a vida dos escravos. A alta dos preços do açúcar era acompanhada da expansão dos canaviais, que invadiam não só as áreas da mata, mas também as terras dos lavradores, restringindo a produção de alimentos. Quando os preços entravam em declínio, os latifundiários alugavam pedaços de terra aos lavradores que podiam aumentar o cultivo para abastecimento de suas famílias, dos próprios latifúndios, das vilas e das cidades próximas. Como se vê, o poder dos senhores de engenho repousava, no fundo, nas imensas terras que possuíam. A vida dos demais habitantes ficava à mercê dos interesses desses grandes latifundiários e dos preços do açúcar no mercado mundial. Na segunda metade do século XIX, com a diminuição da importação de escravos, a Zona da Mata nordestina sofreu uma modernização nas suas técnicas com a introdução das usinas no lugar dos engenhos e da ferrovia no lugar dos carros de bois. A organização do espaço geográfico modificou-se, pois aqueles que se transformavam em usineiros aumentavam seu poder de influência por poderem transformar mais cana que os antigos engenhos. Estes se transformaram em fornecedores de cana das usinas, e muitos deles entraram em decadência. No entanto, a grande usina sofria dos mesmos males dos antigos engenhos: a oscilação dos preços do açúcar no mercado externo. Além disso, o poder dos latifundiários da cana já não era o mesmo na segunda metade do século XIX, pois o café se desenvolvia no Sudeste brasileiro, e o Brasil se destacava como o mais importante produtor mundial. Sem falar que, mesmo na região Nordeste, o século XIX verá o prestígio econômico e político começar a deslocar-se da Zona da Mata para o sertão. Com o, algodão.

A Atividade Pecuarista: O Gado (Séc. Xvi-Xvii)
Nem só de açúcar vivia o Nordeste. A pecuária, desde o início, esteve vinculada a lavoura canavieira. Nos engenhos nordestinos o gado era necessário para o transporte da cana no interior das fazendas e à geração da força motriz nas moendas de cana. Sem falar do consumo de sua carne e de seu couro.
Os donos de engenho costumavam destinar as áreas mais distantes à criação de animais, evitando ocupar as terras das plantações. Criados soltos em parcelas dos imensos latifúndios, os rebanhos se multiplicavam acompanhando às necessidades da lavoura canavieira. Mas o gado exigia cada vez mais pastos e começou a disputar terras com a lavoura canavieira. Ora, essa lavoura era a atividade lucrativa mais importante da colônia no seu início, e a coroa portuguesa não tardou a agir. Em 1701 a metrópole proibiu a prática da pecuária no litoral nordestino. Entre a cana-de-açúcar e o gado, a preferência só podia ser da primeira. Como se vê, decisões políticas acabam definindo o uso e a organização do espaço geográfico (Geopolítica – Estratégica). Assim, o gado teve que pastar em outro lugar, indo ocupar as terras menos úmidas e menos férteis do agreste e do sertão nordestino.

Interiorização Do Gado A Partir Do Nordeste A Expansão Da Pecuária
O agreste, com seu relevo suavemente ondulado, ofereciam amplas extensões facilmente aproveitáveis como pastos. A vegetação natural, por sua vez, não exigia outro cuidado, além da queimada dos arbustos de maior porte, fornecendo diferentes tipos de forragens para o gado. Nas manchas úmidas do agreste, os chamados brejos, praticava-se uma agricultura de subsistência para o abastecimento das fazendas. Assim, foi-se formando a paisagem do agreste. O gado, no entanto, expandiu-se pelo sertão. A escassez de água é um problema nesta área — daí as fazendas de gado terem-se estabelecido junto aos rios. Não é a toa que o rio São Francisco era conhecido como rio dos Currais. A caatinga (vegetação do nordeste) nem sempre garantia a subsistência dos rebanhos. O gado resistia as difíceis condições do clima e da vegetação, tendo de ocupar grandes extensões de terras para conseguir a alimentação necessária. O gado pastava solto — as cercas eram raras — e vivia sob a vigilância dos vaqueiros. Do rio São Francisco até o rio Parnaíba, a criação de gado foi ocupando as chapadas cobertas pela caatinga.

As Frentes de Expansão Econômicas As “Drogas do Sertão” (século XVII e XVII)
No vale do rio Amazonas, as constantes incursões estrangeiras estimularam a intervenção da coroa portuguesa, através da implantação de fortes a princípio na embocadura do rio Amazonas (Belém/Macapá) e do incentivo à ação de missões católicas, estas penetraram nos confins da região, viabilizando a exploração dos produtos da floresta (“drogas do sertão” - canela, cravo, salsaparrilha, cacau nativo) e ao mesmo tempo domesticavam a mão de obra nativa, facilitando a hegemonia lusa na região. Essa expansão foi possibilitada graças à União Ibérica (1580/1640) que veio a facilitar a ação no interior da região sem nenhum impedimento fronteiriço e, realizada a separação, fez-se necessária uma nova divisão política em que se reconheceu o uti possidetis. Ao longo do curso do Amazonas e partindo das fortificações de Belém, os portugueses lançaram expedições oficiais destinadas a estabelecer a presença colonial por todo o vale do grande rio. Entre as inúmeras expedições, destaca-se a bandeira fluvial de Pedro Teixeira (1637/1639), marco das explorações amazônicas oficiais e da epopeia do bandeirante Antônio Raposo Tavares (1648/1651).
No plano da construção espacial brasileira, as bandeiras ampliaram o limite do território conhecido, e funcionavam, ao menos objetivamente, como vanguarda do poder colonial. A coroa portuguesa, manobrando persistentemente e meticulosamente para a expansão geográfica da sua soberania, ordenou a construção de fortificações ao longo do perímetro exterior das expedições. Assim surgiram os fortes de São Joaquim (RR), São José das Marabitanas (Alto Rio Negro), São Gabriel (Rio Negro), Tabatinga (Rio Solimões) e Príncipe da Beira (Rio Guaporé), balizando o contorno das nossas fronteiras terrestres.

A Amazônia no século XIX – A Economia da Borracha
Paralelo a expansão cafeeira, ocorria na Amazônia o boom da borracha (fim do século XIX e início do XX). A produção de látex foi transformada num dos elementos mais importantes do espaço amazônico. O seringal se constituía em grandes propriedades no interior da floresta, controladas pelos seringalistas. O responsável pela extração do látex era o seringueiro. A borracha atraiu para a região amazônica muitos migrantes nordestinos (arigós) que se transformaram na mão de obra. Estes trabalhavam através do Sistema de Aviamento no interior dos seringais. Houve um deslocamento de nordestinos muito intensa para o extremo oeste da Amazônia, garantindo com isso a posterior anexação de mais um Estado ao território nacional, que foi o Acre, através do Tratado de Petrópolis (1903). Alguns migrantes nordestinos, entretanto, se estabeleceram nas proximidades de Belém, onde deram início a uma importante agricultura praticada em pequenas propriedades familiares. A maioria das cidades existentes no nordeste paraense (região bragantina – área que vai de Belém a Bragança) teve sua origem nas colônias agrícolas implantadas por nordestinos. Em outras áreas da Amazônia também foram implantadas colônias agrícolas semelhantes como foi o caso de Santarém e Monte Alegre, ambas no Pará.

A Borracha mudou o Espaço
Ela passou a ser uma importante matéria-prima para as indústrias. O espaço geográfico amazônico, em consequência, passou por grandes transformações, como veremos a seguir. O seringal foi transformado num dos elementos mais importantes do espaço da produção regional (...)
O crescimento econômico e populacional atraiu também a indústria para a Amazônia. Variadas fábricas, ligadas, sobretudo ao setor de bens de consumo, se estabeleceram nas principais cidades, destacadamente em Belém e Manaus. (...) as atividades produtivas mais tradicionais: a roça, a coleta, a pesca e a caça não deixaram de existir. Se a borracha e a indústria eram fonte de riqueza da elite, as atividades tradicionais permaneceram, sobretudo, como fonte de sobrevivência de uma grande parcela populacional.
O comércio gerado pela exportação da borracha intensificou a circulação de pessoas e de produtos. Para facilitar o escoamento da produção e receber as mercadorias compradas no estrangeiro, foram construídos os portos de Belém e Manaus. Neste período, até ferrovias foram implantadas para agilizar o escoamento da produção regional: a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré escoava a borracha de Guajará-mirim até Porto Velho, cidades localizadas no Estado de Rondônia; a Estrada de Ferro Bragantina - escoava a produção agrícola na rota Bragança - Belém, no Estado do Pará; a Estrada de Ferro do Tocantins - escoava a produção extrativa, principalmente a castanha, existente no sudeste do Pará, até a cidade de Marabá (PA). À medida que novas áreas iam sendo ocupadas, como os vales dos rios Madeira, Purus e Juruá, surgiam novos núcleos urbanos, que, na sua maioria, eram sedes de seringais. É o caso de Xapuri e Brasiléia, ambas no Estado do Acre. Eram os seringais virando cidades.
Nas grandes cidades da região, a elite, formada pelos barões da borracha, impõe um novo modo de vida baseado em ideias trazidas da Europa. Vive-se a Belle Époque, termo francês que se refere a um período marcado por construções urbanas de grande beleza (palacetes, igrejas, praças e parques públicos, bosques, etc.), assim como de espaços culturais (teatros, cinemas, escolas, bibliotecas e arquivos públicos, jornais, etc.). As ideias europeias se tornaram presentes no espaço amazônico, para atender aos caprichos e gostos da elite. Por isso mesmo, apenas uma pequena camada da sociedade amazônica pôde beneficiar-se das inovações. (...) esse período de crescimento econômico e intensa reorganização do espaço entra em crise devido à concorrência feita pela borracha produzida na Ásia. A crise freou o crescimento da maioria das cidades. Entretanto, algumas não sofreram tanto com essa queda devido à existência de outras atividades econômicas, como o plantio de juta nas várzeas do Médio-Amazonas e o extrativismo da castanha-do-pará, no sudeste paraense.

O Brasil do Século XIX: A economia Cafeeira
O contexto em que ocorreu esta atividade foi a primeira metade do século XIX até meados do século XX. Iniciando seu cultivo no Vale do Rio Paraíba do sul (começando na porção do Rio de Janeiro) e depois se expandindo para o oeste Paulista chegando até o norte do Paraná e sul de Minas Gerais (frentes pioneiras), aproveitando-se condições naturais favoráveis, como: a descoberta de terrenos menos acidentados e o solo de terra roxa.  A economia cafeeira foi obra do capital mercantil nacional que vinha se desenvolvendo aos poucos e ganhou notável impulso com a abertura dos portos, e a transferência da corte portuguesa para o Brasil (1808) e, mais tarde, com a independência.
Houve neste momento a grande participação do capital britânico, que financiou a infraestrutura para o abastecimento do café, através de empréstimos financeiros, visando incorporar o Brasil como grande mercado consumidor e fonte de matérias-primas para a economia inglesa.
A migração em massa (principalmente de italianos) foi a solução encontrada pela burguesia cafeeira para o grave problema da mão de obra. Depois da proibição do tráfico negreiro, a Lei do Ventre Livre (1871) e a Lei dos Sexagenários (1885) sinalizavam a definitiva abolição da escravatura, o que ocorreu em 1888. Os cafeicultores tiveram um longo tempo para organizar a substituição da força de trabalho. Além do que em 1850 foi instituída a Lei de Terras, que acabou com o sistema de simples doação e estabelecendo que a propriedade territorial só poderia ser adquirida mediante procedimento de compra e venda. A terra, de simples recurso natural passou a ser mercadoria. Na verdade, a Lei de terras marca a transição de um regime em que os homens eram cativos para um regime em que os homens são livres, mas a terra é cativa.
A economia cafeeira modificou o espaço geográfico da região (principalmente de São Paulo), ou seja, houve grandes transformações no espaço da produção, da circulação e das ideias regionais, havendo, assim, as condições para a transição de uma economia agroexportadora para uma economia urbano industrial.
Até a primeira metade do séc. XIX, a economia cafeeira ainda conservava as características básicas do período colonial (economia agroexportadora, baseada na monocultura latifundiária, apoiada na mão de obra escrava). Na segunda metade do século XIX, sobretudo a partir de 1860- 1870, a cafeicultura passou por profundas transformações, tais como: substituição da mão de obra escrava pela mão de obra assalariada do imigrante, a ocupação de novas áreas (oeste paulista) e a expansão das ferrovias ligando a produção aos portos exportadores. A Lei Eusébio de Queiroz pôs fim ao tráfico de negros. A partir desse fato, a escravidão oficial caminhava para o seu esgotamento e os desdobramentos gerados no rumo de uma economia capitalista. Devido as crescentes exportações do café, a expansão de fazendas transformara o Vale do Paraíba do Sul. Os cafezais causaram rápido esgotamento dos solos. Daí a rápida incorporação das terras do Oeste Paulista. A produção cafeeira seguiu uma trajetória de sucessivas e crescentes safras.
Já no final do séc. XIX o Brasil passou a conhecer crises de superprodução de café. Em 1882, a produção mundial de café foi maior do que o consumo. O resultado foi à queda do preço do produto no mercado mundial.

As ferrovias do café e seu papel na ocupação, na produção e na organização do espaço geográfico.
A maior parte das ferrovias no estado de São Paulo foi construída somente após o avanço do desmatamento e do estabelecimento das fazendas, quando a população dos povoados se tornou numerosa e o volume da produção compensava o investimento no transporte ferroviário. Nos EUA e no Canadá , ao contrário, as linhas férreas foram fatores básicos para a fundação de cidades e seu povoamento.
Não podemos, entretanto, subestimar o papel das ferrovias do café. Muitas cidades do Planalto Ocidental Paulista tiveram como embrião as estações de trens, as pontas de trilhos e, ainda, as paradas ao longo do trajeto: Bauru, Tupã, Votuporanga, Pompéia, São Jose do Rio Preto, Penápolis, Lucélia, Lins, Adamantina e Araçatuba.
Para os habitantes do Estado de São Paulo, as vias férreas assumiram tamanha importância que se tornaram um referencial para se situar ou se deslocar no espaço paulista. Por exemplo, quem ia para acidade de Tupã, no oeste do estado, servida pela Companhia Paulista de Estrada de Ferro dizia “Eu vou para a Alta Paulista “, referindo-se, desse modo , mais especificamente ao final da linha, pois esta dividia-se em Baixa, Média e Alta Paulista.
Isso ocorria também em relação ao espaço geográfico cortado pelas demais ferrovias. Falava-se em Araraquarense, Mojiana, Sorocabana, para referir-se à região “atravessada” por essas ferrovias. A paisagem ou o relevo nunca foram referenciais do espaço para os paulistas, como ocorre, por exemplo, com os gaúchos e nordestinos.
Hoje, no Estado de São Paulo, não há mais nem mesmo o referencial dado pelas ferrovias, a não ser para gerações passadas. Com o desenvolvimento rodoviário iniciado em 1956, as ferrovias perderam a importância e também o papel de estimuladoras do povoamento e da criação de cidades, bem como de referenciais do espaço.
O traçado das ferrovias do café mostra a ligação das áreas produtoras ao porto de Santos, construídas que foram para escoar a produção cafeeira do Vale do Paraíba, da Depressão Periférica Paulista e do Planalto Ocidental Paulista. A primeira delas, a Sociedade de Estradas de Ferro D. Pedro II que mais tarde deu origem à Estrada de Ferro Central do Brasil), ligando o Vale do Paraíba ao porto do Rio de Janeiro, entrou em operação em 1855. Em seguida, em 1867, entrou em operação a São PauloRailway Co Ltd, ligando São Paulo à Santos, cujos trilhos foram depois estendidos até a cidade de Jundiaí, dando origem à Estrada de Ferro Santos----Jundiaí . Em 1872, foi inaugurada a Companhia Paulista de Estrada de Ferro, fruto da união de capitais de grandes fazendeiros de Campinas, Araras, Limeira e Rio Claro. Uma associação de produtores da região de Moji-Mirim fez o mesmo, dando origem a Companhia Mogiana em 1875, mesmo ano da inauguração da Estrada de Ferro Sorocabana. Em 1901 foi a vez da Araraquense .
Em 1971, o governo do Estado de São Pulo organizou a FEPASA--- Ferrovia Paulista S.A. ----que englobou as ferrovias citadas, com exceção da Santos---Jundiaí e da Estrada de Ferro Central do Brasil, que pertencem a RFFSA – Rede Ferroviária Federal S.A. Embora tenham avançado no interior do Estado de São Paulo, essas ferrovias não penetraram mais fundo no território nacional (com exceção da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil, inaugurada em 1905, que liga Bauru a Corumbá, no Mato Grosso do Sul, fronteira com a Bolívia ). O mesmo ocorreu nas demais regiões do Brasil. Ao analisarmos o traçado das ferrovias no Brasil podemos concluir que:-as ferrovias não realizaram efetivamente as integrações nacional e inter-regional, como ocorreu, por exemplo, nos EUA, no Canadá e na Rússia ;
-- no nordeste brasileiro, elas não realizaram nem mesmo a integração intra-regional;
--na Amazônia a densidade ferroviária é bastante baixa, contando com a Estrada de Ferro do Amapá, que escoa o minério de manganês até o porto de Santana, de onde é exportado, e com a Estrada de Ferro Carajás, construída recentemente para escoar o minério de ferro da Serra dos Carajás até o porto de Itaqui, no Maranhão, de onde também é exportado;
-- particularmente em São Paulo e no Rio de Janeiro, as ferrovias constituíram uma infraestrutura importante para assegurar o desenvolvimento do capitalismo no Brasil. Podemos, então, afirmar que o traçado das ferrovias no Brasil é periférico, portanto não integrador do espaço. Sua função foi a de inserir-nos na economia mundial como país de economia primário-exportadora, no contexto da divisão internacional do trabalho. Sobre os interesses subjacentes ao desenvolvimento da malha ferroviária no Estado de São Paulo, lembramos as palavras do geógrafo francês Pierre Monbeig: No norte do Paraná, após a implantação de ramais ferroviários, a partir do inicio da década de 20, para escoar a produção de café, ocorreu a revitalização de povoados e a fundação de muitas cidades: Cornélio Procópio (1924), Londrina (1929), Arapongas (1938), Maringá(1947) e muitas outras.

O Arquipélago Econômico (isolamento regional)
A configuração em arquipélago econômico (ilhas econômicas) refletia o papel do Brasil como produtor de mercadorias para o mercado mundial e como as atividades produtivas nesse longo período foram ocupando espacialmente várias áreas do território. As culturas como açúcar, fumo, cacau, borracha ou café; desenvolveu-se em áreas diferentes de acordo as vantagens comparativas naturais e históricas de cada porção do espaço brasileiro. Esse arquipélago mercantil configura-se como “bacias de drenagens” integradas ao centro em grandes cidades portuárias, que escoavam a produção ao mercado externo. Essa organização do território produziu as grandes cidades portuárias do Brasil rural-agrário, centros modernos com laços intensos aos centros urbanos europeus. Podem-se citar as cidades: Belém, Rio de Janeiro, Recife, Salvador, São Luís, etc.
As relações econômicas ou demográficas entre essas áreas ou as ilhas eram inexpressivas ou precárias, chegando a vários períodos há serem inexistentes, pois o crescimento e dinamismo econômico eram diretamente resultado do comércio voltado ao mercado mundial.

O fim da economia de arquipélago
A relação assalariada de trabalho deu o início a um considerável mercado interno de consumo que consequentemente, gerou as bases para um maior crescimento industrial no final do século XIX; abrindo dessa forma a possibilidade de circuitos inter-regionais de mercadorias, pois as necessidades dos trabalhadores, de alimentos, tecidos e calçados, passaram a ser parcialmente atendidas pela indústria nascente. Ao poucos foi se intensificando a articulação entre as regiões, acabando, dessa forma, reduzindo o isolamento anterior.

A industrialização e o novo espaço geográfico
O desenvolvimento industrial da região do sudeste, principalmente do Estado de São Paulo, se beneficiou de capitais, infraestrutura de transporte energia, da mão de obra, da urbanização e do mercado consumidor criado pela economia cafeeira. A concentração industrial nos Estados de São Paulo e Rio de Janeiro transformou a região sudeste no principal polo econômico do país. A indústria, centro dinâmico da economia brasileira a partir da década de 30, criou um novo espaço geográfico, que em poucas décadas passou a concentrar a maior parcela da população e da produção do país: o espaço urbano-industrial. A firme disposição do governo federal em estimular a industrialização do país e a expansão rodoviária desempenhou importante papel no processo de integração nacional, que se afirmou em definitivo a partir da década de 50 com a construção de Brasília.
A necessidade de ligar a nova capital ao restante do país possibilitou a complementação de várias rodovias e a incorporação de novas áreas no cenário nacional (Centro-Oeste e Amazônia). A crescente integração da economia do Sudeste as demais regiões do país teve consequências muitas profundas; de um lado criou um mercado interno nacional e integrou economicamente o país, de outro lado, limitou e até subordinou o desenvolvimento industrial das outras regiões, transformando-as em fornecedoras de alimentos, matérias-primas e mão de obra. A indústria integrou o território nacional, porem causou também profundas desigualdades sociais e regionais.

1º DE MAIO - DIA DE LUTA

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Conflito na Serra Pelada - Sebastião Salgado

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

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08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

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UMA REFLEXÃO SOBRE O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

PENSAMENTO VIVO

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

A Terra em 100 Anos

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O Universo que existe em você, e você que existe no universo

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LOVE IS LOVE

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Reflita sobre o mundo

Simone de Beauvoir

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