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A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Teorias Interacionistas - Principais Diferenças entre Piaget e Vygotsky

 

Teorias Interacionistas - Principais Diferenças entre Piaget e Vygotsky

Interacionista Piagetiana

·         papel dos fatores internos e externos do desenvolvimento: fatores internos preponderam sobre os externos (privilegia a maturação biológica);

·         desenvolvimento humano: segue uma seqüência fixa e universal de estágios;

·         construção do conhecimento: procede do individual ao social. Subordina o social ao individual.

 

 

·         desenvolvimento e aprendizagem: a aprendizagem subordina-se ao desenvolvimento.

 

·         pensamento: aparece antes da linguagem;

 

 

·         linguagem: (a) subordina-se aos processos de pensamento; (b) ocorre após o alcance de determinados níveis de habilidades mentais.

Interacionista Vygotskiana

·         papel dos fatores internos e externos do desenvolvimento: o desenvolvimento varia conforme o ambiente (privilegia o ambiente social).

·         desenvolvimento humano: não aceita uma visão única do desenvolvimento.

·         construção do conhecimento: procede do social para o individual, ao longo do desenvolvimento (é mediado pelo interpessoal antes de ser internalizado); reciprocidade: indivíduo e contexto sóciocultural.

·         desenvolvimento e aprendizagem: processos interdependentes desde o nascimento.

·         pensamento e linguagem: processos interdependentes.

 

 

·         linguagem: (a) função central para o desenvolvimento cognitivo; (b) dá forma definida ao pensamento; (c) o uso de signos como instrumentos das atividades psicológicas.

 

Reflexões sobre a Teoria Sócio-interacionista de Vygotsky

 

O eixo determinante da teoria de Vygotsky baseia-se na formação da consciência e sua "gênese social", com especial ênfase ao uso das ferramentas simbólicas para a construção das funções mentais superiores.

 

A essência da sua posição com relação ao desenvolvimento do ser humano constitui-se na afirmativa de que a consciência possui uma estrutura semiótica e o método mais adequado para investigá-la é analisar e compreender como se formam os signos. Para o autor o sujeito não se constitui de dentro para fora  e nem é um reflexo passivo do meio que o circunda, mas produto do contexto sócio-cultural, assim como a consciência  não é originária dos signos, mas resultado dos próprios signos.

 

Para Vygotsky, os princípios da constituição da consciência e das funções superiores do indivíduo são fundamentados na idéia de que estes processos têm uma "gênese social", provinda das relações do indivíduo com os objetos e com outras pessoas, isto é, das condições objetivas de sua vida social. Estes processos refletem concretamente sua ação sobre os objetos, principalmente os objetos sociais. Esta "gênese social" significa, em um sentido amplo, que toda a cultura é social uma vez que é produto da vida e da atividade social do indivíduo. Assim, para este autor:

 

"Toda função psíquica superior passa  sem dúvida por uma etapa externa de desenvolvimento porque a função, a princípio, é social. ... quando dizemos que um processo é 'externo' queremos dizer que é 'social'. Toda função psíquica superior foi externa por haver sido social antes que interna. A função psíquica propriamente dita era antes uma relação social de duas pessoas. O meio de influência sobre si mesmo é inicialmente o meio de influência sobre os outros, ou o meio de influência dos outros sobre o indivíduo".  (VYGOTSKY, 1995:150).

 

A partir dessas idéias, Vygotsky formula a lei genética geral do desenvolvimento cultural da seguinte maneira: "...toda função no desenvolvimento cultural da criança aparece em cena duas vezes, em dois planos; primeiro no plano social e depois no psicológico, em princípio entre os homens como categoria interpsíquica e logo no interior da criança como categoria intrapsíquica". (Ibid. p.150).

 

A reconstrução interna das atividades externas é denominada por Vygotsky de processo de "internalização",  pois,  para ele,  este  processo  implica  em  uma reorganização das atividades psicológicas. A internalização e a construção das funções superiores concretizam-se com a utilização dos signos externos que se formam nas relações com os outros. Sem o outro a atividade externa não se converteria em uma mediação significativa, isto é, em signo.

 

Ao processo de combinação de uso de ferramentas simbólicas, proporcionados pelos signos e pela cultura nas atividades psicológicas, Vygotsky denomina "função psicológica superior” ou “conduta superior".

 

Funções Psicológicas Superiores

As funções superiores são de natureza cultural e concebidas como transformações qualitativas que ocorrem na inter-relação de fatores externos e internos. São, portanto, "a apropriação e internalização de instrumentos e signos em um contexto de interação" (RIVIÈRE, 1985:59).

 

Estes complexos mecanismos psicológicos é que diferenciam o homem dos animais e o torna capaz de pensar, planejar, tomar decisões, solucionar problemas.

 

A gênese e a estrutura das funções psicológicas superiores foram investigadas por Vygotsky e seus colaboradores e revelam as leis fundamentais que caracterizam os processos de desenvolvimento do sistema nervoso e da conduta do indivíduo.

 

À medida em que as funções superiores se desenvolvem as estruturas inferiores ou elementares (ações reflexas, reações automatizadas, processos de associação simples) cedem parte de suas funções às formações novas. A constituição das funções superiores  não acontece sobre ou ao lado das funções elementares, mas estruturam-se  a partir de " ... complexas combinações das funções elementares mediante a aparição de sínteses complexas". (VYGOTSKY, 1996:118).

 

Segundo Kretschmer (citado por VYGOTSKY,1996:118) os processos psíquicos complexos, sobre o qual se baseiam as funções superiores, são algo mais que uma soma das funções, trata-se da constituição de uma estrutura psicológica nova, totalmente independente. Esta síntese superior permite observar desde os processos reflexos mais simples até a formação das abstrações no pensamento e na linguagem.

 

As novas funções superiores se integram com as elementares que se subordinam a elas como uma categoria superada, como continuação delas. O desenvolvimento psíquico constitui-se, então, com uma certa hierarquia, em uma ascensão das funções superiores.

 

A funções superiores: sensação, percepção, atenção, memória, pensamento e linguagem e imaginação não se desenvolvem umas ao lado das outras, mas constituem-se em um sistema hierárquico cuja função central é o desenvolvimento do pensamento, a formação de conceitos. Estas funções, em um processo de síntese complexa, se integram a ela, "se intelectualizam, se reorganizam sobre a base do pensamento em conceitos". (Ibid. 1996:119).

 

Segundo DEL RIO e ALVAREZ, ( apud COLL (org.) 1996:82), Vygotsky aponta características específicas das funções psicológicas superiores:

 

"permitem superar o condicionamento do meio e possibilitam a reversibilidade de estímulos e respostas de maneira indefinida; supõem o uso de intermediários externos - que ele denomina instrumentos psicológicos, entre eles, o signo;  implicam um processo de mediação, utilizando certas estratégias, ou por meio de determinados instrumentos psicológicos que em lugar de pretender como objetivo modificar o meio físico, como os utensílios eficientes - o machado, a enxada ou a roda -, tratam de modificar a nós mesmos, alterando diretamente nossa mente e nosso funcionamento psíquico".

 

É, portanto, através da interação ou cooperação social e o uso de instrumentos psicológicos que se estruturam as funções psicológicas superiores.

 

Pensamento e Linguagem

Para (VYGOTSKY, 1993:15), a análise do pensamento e da linguagem refere-se às relações entre “ ... diferentes funções psíquicas, entre diferentes classes de atividades da consciência”. O aspecto central desta questão é a relação entre o pensamento e a palavra.

 

O pensamento, para Vygotsky,  é o reflexo generalizado da realidade transmitido através da palavra. A palavra é o 'microcosmo' da consciência, aquilo em que ela se reflete, como o universo se reflete no átomo.

 

O pensamento e a linguagem têm raízes genéticas distintas e se sintetizam dialeticamente no desenvolvimento cognitivo, quando, nesse processo, a linguagem se converte em pensamento e o pensamento em linguagem. A linguagem atua sobre a organização do pensamento e sobre a maneira de pensar do homem, organizando o pensamento e o estruturando convenientemente.

 

A função essencial da linguagem é a comunicação. A verdadeira comunicação humana, diz (VYGOTSKY, 1987:5), " ... pressupõe uma atitude generalizante, que constitui um estágio avançado do desenvolvimento da palavra. As formas mais elevadas da comunicação humana são possíveis porque o pensamento do homem reflete uma realidade conceitualizada".

 

As características da linguagem podem ser assim definidas:

·         Universalidade, ou seja, é uma faculdade humana universal;

·         Função de comunicação entre os membros de uma comunidade social;

·         Caráter abstrato: a linguagem é uma abstração, pois consiste numa operação mental através da qual os homens se comunicam entre si e promovem a análise do real.

 

Apesar das características da linguagem acima definidas, seus componentes essenciais não podem ser tomados como uma conexão mecânica. Pelo contrário, deve existir uma relação dialética entre os fatores cognitivos, sociais e afetivos. Existe, pois, um processo relacional profundo entre a linguagem, o pensamento e a cognição.

 

Esse processo relacional se dá, portanto, com o desenvolvimento biológico e histórico-cultural do homem. Dessa forma, existe uma interação contínua, processual e sucedânea entre a base biológica do comportamento humano e as condições sociais. Essa interação contínua e processual provoca, no ser humano em geral, a formação de novas e complexas funções mentais, mediadas pela natureza das experiências sociais que envolvem a prática social e cotidiana do homem.

 

Considerações sobre o processo de mediação

Um dos temas fundamentais da psicologia histórico-cultural ou sócio-interacionismo vygotskiano é a cooperação social mediada por instrumentos e signos, sendo os signos verbais, ou a linguagem o elemento essencial da interação humana.

 

Neste sentido, é a cooperação social, realizada na atividade, por meio de instrumentos e signos verbais,  o que distingue a espécie humana, que, com o uso dessas ferramentas psicológicas, compreende os fenômenos da natureza e modifica sua realidade social.

 

Para Vygotsky, as alterações provocadas na mente do homem pelo uso de instrumentos e signos, como apoios externos, é o que lhe permite mediar um estímulo representando-o em outras ocasiões e lugares. Esta representação concretiza-se na linguagem, que constitui o grande sistema de mediação instrumental.

 

A respeito destas conceitos, (DEL RIO e ALVAREZ, in Coll (org.),1996:83), destacam,  que para Vygotsky, “ ... a história filogenética da inteligência prática está estritamente ligada, não apenas ao domínio da natureza, mas ao domínio do próprio indivíduo. A história do trabalho e a história da linguagem dificilmente poderão ser compreendidas uma sem a outra. O homem não só criou os instrumentos de trabalho, com cuja ajuda submeteu ao seu poder as forças da natureza, como também os estímulos que ativavam e regulavam seu próprio comportamento, que submetia a seu jugo suas próprias forças”

 

Assim, para Vygotsky, os princípios atribuídos às interações sociais e às intervenções pedagógicas são os de Zona de Desenvolvimento Proximal (ZDP), definida por ele como a distância entre o nível de desenvolvimento real (quando a criança é capaz de resolver os problemas sozinha), e o nível de desenvolvimento potencial ( quando resolve os problemas com a orientação do adulto ou com a colaboração de companheiros mais capazes); e da  lei da dupla formação, segundo a qual, no processo de desenvolvimento da criança, todas as funções mentais superiores se realizam duas vezes;  a primeira (interpsíquica) acontece nas atividades sociais e coletivas, na relação com o outro. A segunda (intrapsíquica) realiza-se pela internalização e reconstrução das atividades externas.

 

Referências Bibliográficas

 

DEL RIO, P. e ALVARES A. Educação e Desenvolvimento: A teoria de Vygotsky e a Zona de Desenvolvimento Próximo. In Coll e outros (orgs.). Desenvolvimento Psicológico e Educação. v.2, Porto Alegre: Artes Médicas, 1996

RIVIERE, A. La Psicologia de Vygotsky. Madrid: Visor, 1985

VYGOTSKY, L.S. Pensamento e Linguagem. São Paulo: Martins Fontes,1987

_____________. Obras Escogidas. v.2 Madri, Visor, 1993.

_____________. Obras Escogidas. v.3 Madri, Visor, 1995.

_____________. Obras Escogidas. v.4 Madri, Visor, 1996.

 

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“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

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