"Este Blog foi criado para aproximar aqueles que se sentem indignados ao presenciar a injustiça, ocorra ela em qualquer parte do planeta. Ele foi criado para aqueles
que acreditam que o conhecimento crítico e o combate a alienação é a libertação do homem e a transformação do mundo. Sinta-se indignado, proteste, lute,
liberte-se, liberte o outro, transforme o mundo..." Prof. Claudenir

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789

Liberté - Igualité - Fraternité / Revolução Francesa - 1789
A Liberdade Guiando o Povo - Eugéne Delacroix

sexta-feira, 30 de julho de 2010

TAYLOR, CHARLES. As Fontes do Self. Edições Loyola. 1997.

Topografia Moral

 

  • Nossa idéia de self está ligada ao sentido de interioridade;
  • Oposição dentro-fora: as idéias, sentimentos e emoções estão dentro de nós enquanto os objetos do mundo com os quais esses estados se relacionam estão fora (p. 149);
  • Acabamos por crer na naturalidade do self como temos as diferentes partes de nosso corpo;
  • O self está relacionado com as questões morais, com a nossa identidade e com aquilo que devemos ser (p.150);
  • Nossas idéias modernas de interior e exterior são de fato estranhas e sem precendetnes em outras culturas e épocas. Para isso busca o paradigma em Platão (p. 153);

 

O autodomínio de Platão:

 

  • Somos bons quando a razão governa e maus quando dominados por nossos desejos (p.155)
  • O que ganhamos por meio da razão é o autodomínio. O domínio do self por meio da razão produz três frutos: unidade consigo mesmo, calma e posse serena de si próprio (p.156);
  • Considerar algo racionalmente é adotar uma atitude desapaixonada em relação a isso. “Ser racional é ser senhor de si mesmo”
  • Na a República há a identificação de um terceiro elemento da alma, entre o desejo e a razão está o espírito que tem o papel de auxiliar a razão;
  • A alma deve estar uma se queremos alcançar o auge de nosso sereno entendimento da razão, que traz consigo harmonia e concórdia da pessoa como um todo (p.161)
  •  Platão não usa a dicotomia dentro/fora em sua argumentação. Já Santo Agostinho vai pensar os bens da alma enfatizados em detrimento da ação mundana, trabalhando a idéia de interior e exterior (p.162-167);
  • Platão: Razão é ver e entender, algo ligado a ordem entendida como a ordem das coisas no cosmo que, por sua vez, está conectada com a ordem correta da alma;
  • Tudo ordenado para o bem, assim a razão alcança sua plenitude na visão maior que é a visão para o bem (p.165);
  • Para tornar-se sábio, é preciso voltar a alma para a direção certa, uma questão de conversão (p.165)
  • A alma imaterial e terna deve voltar-se para o que é imaterial e terno;
  • Visão platônica de razão: a razão é a capacidade de ver a realidade existente, iluminada.

 

In interiore homine

 

 

§  Agostinho utiliza a imagem do sol, fundamental na discussão de Platão a respeito da Idéia do Bem na República, que tanto nutre as coisas em sua existência como fornece a luz para que sejam vistas; mas, agora, o princípio supremo do ser e do conhecimento é Deus. Deus é a fonte da luz e este é mais um ponto de contato, que faz a ligação com a luz do primeiro capítulo do Evangelho de João (p. 170).

 

§  Para Agostinho, como para Platão, a visão da ordem cósmica é a visão da razão e, para ambos, o bem para os seres humanos envolve ver e amar essa ordem. Da mesma forma, para ambos o obstáculo é a absorção humana do sensível, nas meras manifestações externas da realidade superior. A alma precisa ser girada; tem de mudar a direção de sua atenção/desejo (p.171).

 

§  O exterior é o corporal, o que o homem tem em comum com os animais, incluindo até nossos sentidos e o armazenamento de imagens das coisas externas em nossa memória. O interior é a alma (p. 171).

 

§  Uma frase sintetiza muitas outras: “Noli foras ire, in teipsum redi; in interiori homine habitat veritas” (“não vá para fora, volte para dentro de si mesmo. No homem interior mora a verdade”). Agostinho está sempre nos chamando para dentro (p. 172).

 

§  Observei acima o paralelo entre Deus e a Idéia do Bem, no sentido de que ambos fornecem o princípio supremo de ser e saber; e ambos são descritos com a mesma imagem central do sol. Parte da força da imagem em ambas as filosofias é que a realidade mais elevada é muito difícil de contemplar diretamente – na verdade, de certa forma, impossível (p. 172).

 

§  Deus não é apenas o que ansiamos por ver, mas o que capacita o olho que vê. Assim, a luz de Deus não está apenas “lá fora”, iluminando a ordem do ser, como está para Platão;  é também uma luz “interior” (p. 172).

 

§  Agostinho muda o foco do campo dos objetos conhecidos para a própria atividade de conhecer; Deus pode ser encontrado aí. Isso explica em parte seu uso da linguagem da interioridade (p. 173).

 

§  Existe uma forma menos radical de voltar-se para si mesmo que foi um tópico relativamente comum entre os antigos moralistas. Foucault mencionou a importância do tema do “cuidado consigo mesmo” (p. 173).

 

§  Mas podemos inverter a situação e fazer disso o objeto de nossa atenção; tomar consciência de nossa consciência, procurar experimentar nossa experiência, concentrar-nos na forma como o mundo é para nós. É isso que chamo de assumir uma atitude de reflexão radical ou de adotar o ponto de vista da primeira pessoa (p. 173-174).

 

§  [...] há uma diferença crucial entre a forma de eu experienciar minha atividade, pensamento e sentimento, e a forma pela qual você ou qualquer outro o faz. É isso que me torna um ser que pode falar de si na primeira pessoa (p. 174).

 

§  O apelo para cuidar de si mesmo feito por um sábio antigo, ou dirigido a um executivo moderno, não é um apelo à reflexão radical. É um apelo para nos ocuparmos com a saúde de uma coisa muito importante (nossa alma, para os antigos, o corpo para o homem moderno) em contraposição a estarmos completamente absorvidos pelo destino de algo muito menos importante (nossas propriedades ou nosso poder) (p. 174).

 

§  A virada de Agostinho para o self foi uma virada para a reflexão radical,e foi isso que tornou a linguagem da interioridade irresistível. [...] ela ilumina aquele espaço onde estou presente em mim (p. 174).

 

§  E é isso o que estou tentando fazer ao colocá-lo entre Platão e Descartes. Agostinho dá o passo para a interioridade, como eu disse, porque é um passo  para Deus (p. 175).

 

§  Agostinho, entretanto, faz seu raciocínio reflexivamente. Apela para nossa experiência de primeira pessoa no plano do pensamento (p. 176).

 

§  Mas, para provar que sabemos alguma coisa, Agostinho dá o passo protocartesiano decisivo: mostra ao interlocutor que ele não pode duvidar de sua própria existência, pois, “se você não existisse, seria impossível ser enganado” (nota de rodapé) (p. 176).

 

§  É a certeza da própria presença. Agostinho foi o inventor do raciocínio que conhecemos como cogito, porque foi o primeiro a tornar o ponto de vista da primeira pessoa fundamental para nossa busca da verdade (p. 176).

 

§  Por isso, vemos que existe algo superior à mente humana. QED: Deus = verdade existe (p. 177).

 

§  A prova que Agostinho dá de Deus é uma prova da experiência de conhecer e raciocinar em primeira pessoa (p. 177).

 

§  A alma está presente para si mesma e, apesar disso, pode estar totalmente longe de conhecer-se; pode estar inteiramente enganada a respeito de sua própria natureza, como Agostinho achava que havia estado quando era maniqueísta (p. 178).

 

§  No fundo de nós existe uma compreensão implícita, que precisa ser muito bem pensada para se transformar em uma formulação explícita e consciente. Esta é nossa “memória”. E é aqui que reside nossa apreensão tácita do que somos, a qual nos guia na passagem de nossa ignorância original sobre nós mesmos e da descrição dolorosamente errada de nossa pessoa para o verdadeiro autoconhecimento (p. 179).

 

§  Na própria raiz da memória, a alma encontra Deus (p. 179). [...] Mergulhar na memória leva-me para além (p. 180).

 

§  Para Platão, em Ménon, a doutrina da reminiscência, além de responder à difícil questão de como se pode chegar a saber o que se está buscando, sublinha a tese de que o conhecimento das Idéias não é inculcado em nós pela educação. A capacidade está lá. Agostinho parte desse ponto. A bem dizer, os importantes princípios da razão não nos são ensinados; o mestre só os desperta em nós (p. 180).

 

§  Mas entender meu verdadeiro self é amá-lo; assim, com a inteligência vem a vontade, e com o autoconhecimento o amor por si mesmo (p. 181).

 

§  Poderíamos dizer que, se para Platão o olho já tem a capacidade de ver, para Agostinho ele perdeu essa capacidade (p. 184).

 

§  [...] só podemos compreender a nós mesmos se nos vemos em contato com uma perfeição que está além de nós (p. 185).

 

§  Eu não teria noção de mim mesmo como ser finito a menos que já existisse implantada em mim essa idéia de infinito e perfeição (p. 186).

 

§  A prova agostiniana move-se pelo sujeito e pelos fundamentos inegáveis de sua presença para si mesmo. Descartes não foi o único a tomar o caminho agostiniano no começo da era moderna. Em certo sentido, aqueles dois séculos, XVI e XVII, podem ser vistos como um imenso florescimento da espiritualidade agostiniana ao longo de todas as diferentes crenças, que continuou em seu próprio caminho pelo Iluminismo, como o caso Leibiniz ilustra tão bem.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

1º DE MAIO - DIA DE LUTA

1º DE MAIO - DIA DE LUTA
Conflito na Serra Pelada - Sebastião Salgado

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

DIA DAS MÃES - UM GRANDE DIA

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

08 DE MARÇO DIA INTERNACIONAL DA MULHER

UMA REFLEXÃO SOBRE O DIA DA CONSCIÊNCIA NEGRA

PENSAMENTO VIVO

"Ninguém nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele ou por sua origem ou sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender. E se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar, pois o amor chega mais naturalmente ao coração humano do que o seu oposto. A bondade humana é uma chama que pode ser oculta, jamais extinta." Nelson Mandela

“Nós, que sobrevivemos aos campos, não somos as verdadeiras testemunhas. Esta é uma idéia incômoda que passei aos poucos a aceitar, ao ler o que os outros sobreviventes escreveram, inclusive eu mesmo, quando releio meus textos após alguns anos. Nós, sobreviventes, somos uma minoria não só minúscula, como também anômala. Somos aqueles que, por prevaricação, habilidade ou sorte, jamais tocaram o fundo do poço. Os que o fizeram, e viram a face das Górgonas, não voltaram, ou voltaram mudos”

Primo Levi, escritor italiano, foi um dos 23 sobreviventes entre os 649 judeus que foram encaminhados para Auschwitz com ele em abril de 1944.

A Terra em 100 Anos

Loading...

A FORMAÇÃO DA TERRA

Loading...

O UNIVERSO MACROSCOPICO E O MICROSCOPICO

Loading...

O Universo que existe em você, e você que existe no universo

Loading...

LOVE IS LOVE

LOVE IS LOVE
Reflita sobre o mundo

Simone de Beauvoir

Simone de Beauvoir
Pense sobre o mundo